quinta-feira, 2 de maio de 2013

O meu período sabático

Sabático. Pausa, sim. Repouso? Nem sempre.

Você sabe o que é período sabático? O termo vem do hebraico, “shabat“, que significa repouso, parada e descanso. Remete ao dia de recolhimento semanal de vários povos: dos judeus no sábado, dos muçulmanos na sexta-feira e dos cristãos no domingo. No mundo corporativo, trata-se de um período em que algumas pessoas optam por uma licença não-remunerada a fim de buscar autoconhecimento e crescimento pessoal. O que se faz com esse tempo vai da escolha de cada um: viagens, cursos, pesquisas, escrita de um livro...
Ocorreu-me há alguns dias, ao negar uma proposta de trabalho, que estou vivendo o meu período sabático. Motivada pela maternidade, por esse desejo que sempre cultivei e que agora realizo de parar tudo para maternar as crias, o que tenho vivido é, certamente, um momento de autoconhecimento e crescimento pessoal dos mais fortes.
Cuidar de uma criança (no meu caso de duas) pode ser uma grande oportunidade para uma pessoa aprender muito sobre si. Muitas coisas ruins sobre mim mesma que eu preferia não confrontar e que permaneciam abandonadas em cantinhos empoeirados e pouco visitados de minha alma vieram à tona com força desde que meus pimpolhos chegaram. Descobri muito de bom também. E assim, vou confrontando minhas sombras e jogando luz sobre minhas luzes... E sinto que estou me tornando uma pessoa melhor, mais completa, com mais autoestima e confiança. E tudo isso graças a  ELEs! É uma maravilha, mas também é difícil pra caramba, pois é uma experiência muito intensa e complexa. Ora doce, ora dolorosa; ora alegre, ora triste; ora vibrante, ora melancólica. Como qualquer situação de mergulho em si mesmo e ruptura. Como qualquer processo terapêutico, acho eu.

Dessa forma, vamos escrevendo nossa história - eu, meus meninos, meu amor - e a mamãe aqui vai aprendendo muito: ser mais humilde, ter mais paciência, desapegar, deixar o ego um pouco de lado, perdoar (a mim e aos outros), se entregar, não se levar tão a sério, ser mais positiva... e por aí vai. Gael e Benjamin me obrigam (que bom!) a buscar o que há de bom em mim e, assim, dar bons exemplos a eles. As crianças seguem nossas ações, não nosso discurso. Eu cresço, eles são felizes e todos nós ganhamos muito com este meu período sabático.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

100 dias de Gael

100 dias de amor. 100 dias de descobertas. 100 dias de delícias. 100 dias de fofura. 100 dias de colinho. 100 dias de mamá. 100 dias de carinho. 100 dias de sorrisos. 100 dias de aconchego. 100 dias de irmãos. 100 dias de mãe de dois. 100 dias de NÓS 4!

Gael, meu menino apaixonante, a bolachinha mais recheada do meu pacote, gratidão por tua presença em nossas vidas, pelo teu cheirinho, pela tua alegria e pelo teu sorriso fácil. Te amamos, nosso fofucho!

Gael com 1 dia de vida.

Com 1 mês, meu agarradinho.

Com 2 meses, meu faceiro.

Com 3 meses, meu grandão.

Aproveito, pessoal, para dar um até logo pra vocês. A vida de mãe de dois é maravilhosamente louca ou loucamente maravilhosa, o tempo é escasso e o cansaço é grande. Ou eu blogo ou eu materno. Escolho o maternar, sempre. Maternar Ben, maternar Gael, maternar os dois juntos e se vier alguém mais (quem saberá?) continuar maternando. Deixo aqui disponível o que já escrevi e quando tiver um tempinho livre (isso existe?) eu volto, juro que volto. Até mais!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Gael chegou!


E eis que chega Gael, meu menino lindo e intenso, que nasceu no dia 29/12, às 4h03min, com 3,315Kg e 50,5cm. Estávamos com 37 semanas de gravidez e o parto foi lindo, instintivo, natural e incrivelmente rápido. Assim que conseguir postarei aqui o relato. Por ora, só posso declarar aos quatro cantos do mundo minha paixão por este novo serzinho que chegou para iluminar ainda mais a minha vida. Estamos já em casa e fecharemos 2012 com chave de ouro, em família, com nossos dois filhotes embaixo da asa.
O Benjamin está curtindo bastante o mano, sorri quando o vê e está muito carinhoso com ele e conosco. Coisa mais querida, como sempre!

Aproveito para desejar a todos um 2013 pleno de alegrias, doçura, leveza e muito amor!





sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Parir sorrindo

A chegada de Gael se aproxima. Estou meio introspectiva, chocando o ovo, toda corpo, toda atenção aos sinais e às mudanças, toda "para dentro". Ontem pensei que isso está ocorrendo desta maneira sobretudo porque já tive uma experiência (ótima, por sinal) de parto e sei que este acontecimento tão lindo, transformador e fisiológico é uma pequena morte. Depois do parto de Benjamin nunca mais fui a mesma. Morri um tanto para depois renascer, sendo a mesma e ao mesmo tempo sendo uma outra. Quando Gael chegar sei que meu eu será linda e necessariamente dilacerado pela segunda vez, e o produto deste processo não sei ainda qual será, mas tenho certeza que me sentirei mais forte, mais crescida e mais mulher do que sou agora.

Encontrei agora há pouco no blog da Cris, que também está na reta final à espera de seu segundinho, este lindo vídeo. Ele representa o que desejo neste meu segundo parto. Se no nascimento de Ben encontrei minha força e me superei, no nascimento de Gael quero entrar em intenso contato com meu eu, com meu instinto e com as demandas de meu corpo. Quero serenidade. Quero viver com plenitude o momento. O meu momento. Este vídeo é uma prova de que não só é possível para o filho nascer sorrindo; é possível para a mãe parir sorrindo. Que assim seja!




domingo, 11 de novembro de 2012

Sobre saber crescer e deixar-se ser criança

 Vocês dizem:
- Cansa-nos ter de lidar com crianças.
Têm razão.
Vocês dizem ainda:
- Cansa-nos porque precisamos descer a seu nível de compreensão.
Descer, rebaixar-se, inclinar-se, ficar curvado.

Estão equivocados.
Não é isso que nos cansa, e sim, o fato de termos de nos elevar até alcançar o nível dos sentimentos das crianças.
Elevar-nos, subir, ficar na ponta dos pés, estender a mão.
Para não machucá-las.

(Janusz Korczak em "Quando eu voltar a ser criança")

 


Há umas duas semanas, a  Revista Época apresentou como matéria de capa o assunto "Filhos e Felicidade". Li a matéria e devo dizer que me choca um pouco o fato de, o que está escrito ali, como costuma acontecer na maioria das revistas semanais desse tipo, representar o senso comum, o pensamento da maioria. O que se pode ler na matéria e, infelizmente, o que se encontra por aí é uma visão da maternidade/paternidade como um fardo, uma missão pesada, difícil e que envolve muitas perdas e poucos ganhos.

Eu tenho sorte de estar rodeada de pais e mães que curtem pra caramba a tarefa de ter filhos, que gostam de ter os pequenos por perto, que são amorosos, empáticos e conscientes. No entanto, o que tenho observado quando converso com pessoas de fora desses círculos - na pracinha, em festinhas, na fila do super e onde mais o assunto "filhos" venha à baila - é geralmente o discurso de sempre, muitas vezes acompanhado de uma cara de enfado: "Dá trabalho, né?" Oh, God...

Não é que eu não concorde que, sim, ter filhos dá trabalho. Não é só isso: ter filhos te deixa mais cansado, com menos grana ou menos gás para lutar pela carreira, entre outras coisas. Acho que a citada matéria não está mentindo, não. Porém, ter um filho é das coisas mais lindas e grandiosas que se pode fazer na vida. E como diz o tio do Peter Parker, alterego de nosso Homem Aranha, "grandes poderes trazem grandes responsabilidades". O que acontece, a meu ver, é que as pessoas, muitas vezes, não têm uma visão realista do que signifique ter um filho. Vê-se por aí muita gente achando que ter filho é brincar de boneca e que, sim, é possível tocar a vida sem muitas mudanças depois da chegada deles.

Sendo assim, penso que o que está em questão aqui são dois tópicos que, por mais paradoxais que pareçam, vêm juntos quando se fala do peso e das dificuldades que envolvem a maternidade/paternidade para a maioria dos viventes: o adultocentrismo e a infantilização dos adultos. Me explico.

Por um lado, o mundo é adultocêntrico. Tudo é feito por nós e para nós. Já parou para observar um quarto de bebê, daqueles que a mãe decora e prepara com todo o amor e carinho para seu rebento que vai chegar? Geralmente são feitos pelos e para os adultos, que em seus sonhos dourados imaginam um bebê dormindo ali uma noite toda, grato por possuir um quartinho tão lindo... Na vida real, o bebê não dá a mínima para toda a parafernália de berços, almofadas,quadrinhos, móbiles... o que ele queria mesmo era dormir sentindo o cheiro e o calor de sua mãe.
Voltemos ao mesmo quarto esse, o dos sonhos. Com que frequência, os brinquedos estão ao alcance da criança? De quem é o quarto mesmo?
E pensemos nos restaurantes. Quantos estão preparados para receber crianças? Ou, perguntando melhor, qual a porcentagem de adultos está preparada para dividir espaços com crianças? Sim, pois existem alguns restaurantes (poucos) que oferecem a opção de deixar os pequenos em um "espaço kids" ou algo do gênero. Eu não sei se isso me agrada. Parece mais uma forma de dizer "fiquem quietinhos aí no cantinho de vocês; não atrapalhem os adultos". E isso se estende a cinemas, teatros, museus...Até mesmo programações
dedicadas às crianças parecem muitas vezes não estar preparadas para recebê-las (outro dia levei o Benjamin em uma dessas e tive vontade de chorar, tamanho era o despreparo dos monitores). Em resumo, o mundo é totalmente regido por nossa lógica e nossos esquemas mentais e as crianças vivem à mercê de tais esquemas. Nos falta humildade para tentar ver o mundo pelo ponto de vista delas (ganharíamos muito com isso!). Além disso, muitas vezes tenho a impressão de que as pessoas não levam em consideração as singularidades das crianças, não levam a sério seus sentimentos, preferências, suas fraquezas e tristezas. É
como se seus sofrimentos possuíssem um status inferior ao dos adultos. É só lembrar da clássica frase "não foi nada", a qual (achamos nós!) serve de consolo para dores físicas e emocionais de nossas crianças...

Por outro lado, está a questão da infantilização dos adultos. E aqui o buraco é beeeeem mais embaixo. Não somente se vê por aí muitas mulheres infantilizadas com fantasias irreais a respeito da maternidade, ocupando-se do mais lindo enxoval, mas deixando de lado os movimentos intensos e muitas vezes perigosos que ocorrem em seu íntimo com a chegada de um filho, mas também homens infantilizados, que não estão preparados para ficar em segundo plano na vida de suas amadas, para segurar as pontas e cuidar da mulher que cuida do bebê. E, gente, quando um filho chega, tudo na vida do casal se movimenta, tudo se desestabiliza um pouco para depois se reacomodar - ou não - dependendo do modo como os dois, em conjunto, trabalham as questões que aparecem. Não tenho condições de fazer uma análise muito aprofundada disso (leiam Laura Gutman, leiam Laura Gutman!), mas acredito que esse casal infantilizado é uma combinação bombástica e o prenúncio de uma experiência não muito feliz de paternidade/maternidade. Pois o bebê esse que chega desestabilizando tudo, bagunçando tudo, exigindo demais está a dois passos de se tornar um peso que este casal não estava preparado para suportar, fazendo com que, quase sem querer, sem perceber, dentro de alguns meses eles andem por aí reproduzindo o tal discurso de fila de super do qual falei acima, abraçando todas as ideias que surjam no mercado que facilitem a vida deles (vide treinamentos de sono, mamadeiras, bouncers e etcéteras...) e culpando o filho por não se darem mais beijo na boca. (Será que eles querem tanto assim se beijar? Pois quando a gente quer a gente dá um jeito, né?)

Eu não sei muito bem qual é a solução para esses casais ou para mudar tudo isso. Eu realmente gostaria de saber e gostaria de viver em um mundo onde a infância fosse mais respeitada, apreciada e levada em consideração. Mas o que posso fazer é falar de nossa experiência pessoal. O Abramo e eu estamos juntos há 14 anos. Felizmente, somos um casal apaixonado que hoje em dia adicionou a esta paixão dois bebês,um que já chegou e outro que vem chegando. E tudo isso é uma construção conjunta, que exige manter-se com o coração aberto e com toda a disposição a se conectar, de forma muito intensa e verdadeira com o outro. E o outro, aqui, pode ser a mulher, o homem, o bebê, os três juntos, dependendo do momento e da situação. Ter um filho e fazer disso uma experiência feliz implica, de antemão, conscientizar-se das mudanças e desafios que virão pela frente. Implica saber que nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia, mas tudo bem. Se a gente se entregar à experiência, se a gente parar de brigar com o fato de que não mais dormiremos como antes ou sairemos à noite ou teremos intensa vida cultural, social, sexual, todo o processo pode ser levado com mais leveza. E não estou afirmando que se abre mão de tudo e que o casal não sai nem transa mais, não é isso. Mas as coisas ficam diferentes e isso é fato. E esse diferente pode ser bom, muito bom. A gente pode se reapaixonar pela pessoa que está ao nosso lado pois se apresenta para nós uma nova dimensão dela: a de pai ou de mãe. E esse processo pode ser algo encantador quando percebemos, por exemplo, que aquele cara que conquistou nosso coração há tempos atrás não só é divertido, beija bem e nos faz rir, como também é um pai e tanto, que sabe compreender nossas loucuras de puérpera, nos proteger e cuidar da cria melhor que ninguém. Esse tipo de readequação da vida de casal à vida de família é uma etapa importante para melhorar um pouco este cenário do qual falei e tornar a experiência de paternidade/maternidade mais prazerosa, gostosa e verdadeira. E assim, com o coração aberto e com expectativas mais realistas a respeito do que está por vir, estaremos também mais aptos a nos voltar mais e mais para nossas crianças, incluindo-as realmente em nossas vidas e valorizando-as, pois elas necessitam que estejamos dispostos a ouvi-las, compreendê-las e acreditar nelas para que elas também acreditem, e no futuro tudo seja diferente... e melhor.


P.S.: Para comprovar a minha tese de que tudo muda, eu quero contar que delineei este texto há duas semanas, quando a tal matéria foi publicada e eu a li. Mas só consegui sentar para escrever hoje... Isso por causa do Benjamin e do Gael? Siiiiiim! E não existe motivo melhor e mais nobre para adiar o que quer que seja, não acham?





sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Para refletir... e nunca esquecer




"Respire. Você será mãe por toda a vida.
Ensine as coisas importantes. As de verdade.
A pular poças de água, a observar os bichinhos, a dar beijos de borboleta e abraços bem fortes.
Não se esqueça desses abraços e não os negue nunca. Pode ser que daqui a alguns anos, os abraços que você sinta falta sejam aqueles que você não deu.
Diga ao seu filho o quanto você o ama, sempre que pensar nisso.
Deixe ele imaginar. Imagine com ele.
As paredes podem ser pintadas de novo, as coisas quebram e são substituídas.
Os gritos da mamãe doem pra sempre.
Você pode lavar os pratos mais tarde. 

Enquanto você limpa, ele cresce.
Ele não precisa de tantos brinquedos. 

Trabalhe menos e ame mais.
E, acima de tudo, respire. Você será mãe por toda a vida. 

Ele só será criança uma vez."

(Anônimo)
Retirado da Comunidade Roda BEBEDUBEM, no Facebook